sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Meu mundo e Você...


“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”
Vinícius de Moraes

E nada parece ser comum quando contigo estou a falar, mesmo que sem som...

Tenho procurado as melhores respostas e encontrado os silêncios ocultos.
Sentido a sua doce presença em meio a tempestade da sua ausência.
E é confuso pra mim, eu confesso.
Alma de poeta suporta toda dor, e sorri com alegria de palhaço, que finge ser feliz.
No picadeiro da vida, não existe ensaio e se paga pelos erros cometidos com vaia.
A boneca está confusa, sentimento inconstante que não sabe aonde ir.
Os seus olhos me atiram duvidas e me fazem ter a certeza de que nada é para sempre.
E as estrelas se multiplicam a cada vez que visita meus sonhos, e com sua complexidade em seus braços me faz se atirar.
Mas nada é real, a não ser os meus dias que sem você só passam, assim como o vento, que parece te levar cada vez mais pra longe de mim.
Espero poder te alcançar, te mostrar o mundo que sempre vivi sozinha, meus detalhes que ninguém nunca quis notar, e respirar aliviada por ter você no meu lugar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E o que é real pra você?


"Como não podemos mudar a realidade, deixe-nos mudar os olhos com os quais a vemos." (Nikos Kazantzakis)

E o que é real pra você?

Uma gota e um ponto... um pedaço de pano?
Escritas em linhas ou em algum papel branco?
Sentimentos concretos, ou secretos trancados sem chave?
O que considera abstrato? Uma obra de Modigliani ou seu pensamento forçado?
Pare, pense, e grite em frente ao seu espelho sua libertação.
Esqueça, nem que seja por um minuto de tudo que te mantém refém da quadrilha “Censura”.

E o que é real pra você?

Imagens de miséria ou uma reunião no senado?
Rebelião, protesto, ou você com seu nariz pintado?
Olhe pra sua postura e faça suas escolhas repetidas!
Qual a sua sugestão para mudar o mundo?
Um minuto de silêncio ou a 3º Guerra Mundial?
Mais o que é real pra você?
Um concerto de Antônio Vivaldi ou um documentário sobre moradores de rua?
Uma imagem de Ferrari banhada a ouro ou uma migalha de pão?
Você sentado no seu trono ou seus filhos na prisão?
Pare, pense e reflita sobre as suas condições, tire essa tampa de seus olhos, essa maquiagem borrada e essa roupa tão fora de moda e mostre a todos com o que você realmente se importa.
Se é com chinelos ou sapatos de salto alto. Com a desigualdade ou com perfumes importados!

E o que é realmente real pra você?







quinta-feira, 27 de agosto de 2009

E eu estou bem longe de mim...





"Em contrapartida, dar-se força para realizar as verdadeiras vontades
da alma é definitivamente viver."
Gasparetto

Certos acontecimentos em nossas vidas nos levam pra longe de nós mesmos.
Nos afogam no mar do pranto, ou nos soterram dentro de um buraco profundo.
Esse mar que formamos em nossa superfície faz de nós seres flutuantes do mundo real.
A mágoa, a indignação presente em nossas almas, a tristeza que inspira solidão e expira uma face enrugada e com baixo semblante.
Sofremos pela nossa existência, e simplesmente por buscar tantas respostas e nunca encontrar. Pelo sabor amargo que somos obrigados a acostumar o nosso paladar.
As obrigações, as aceitações! Como é fácil ditar as regras quando não se faz uso delas. E é bem assim que funciona o nosso sistema. Falam os que menos fazem. E os muitos que querem fazer não tem oportunidade pra falar.
Muitas pessoas gostariam de sair do buraco, de expressar suas ideias e pensamentos, mas só o que conseguem a cada dia é se engasgarem mais e mais e se afundarem junto aos seus pensamentos.
Com o passar do tempo, sentimos o peso do relógio em nossas almas, nos tornando assim pessoas ocas de sentimentos verdadeiros. Necessitadas, porém conformadas em viver por viver.
Cada dia mais calados, mais omissos, mais distantes do que realmente somos... Essas são as consequências possivelmente vivenciadas por mim e por você. E quem se importa?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Receita de Felicidade



Sabe aqueles dias em que você deseja tocar no ponteiro do relógio da vida e apressar logo o tempo pra ver se a felicidade vem logo ao seu encontro?
Foi assim naquela tarde tediosa de sexta-feira, em que todos ao meu redor estavam cansados, porém ansiosos pelo final de semana,onde cada um da sua maneira iria com toda certeza se divertir a bessa. Foi o que pensei.
Seguido do pensamento, entrei no google e digitei em letras maiúsculas a seguinte pergunta: " Como faço para ser feliz?". Péssimo questionamento. Mas logo vieram inúmeras respostas. A maneira que ia lendo, percebi que minha testa ia se franzindo pouco a pouco, eram muitos os conselhos, as críticas e observações feitas para uma triste infeliz como eu.
Não pude evitar uma lágrima, mas prossegui com minha pesquisa triunfante e fui mais além digitando como palavra-chave "felicidade". Dessa vez, veio frases, poemas e "ladainhas", escritas por autores felizes. Diante de toda essa leitura, busquei a típica chícara de café, a qual tomei acompanhada de meus velhos pensamentos açucarados.
Escolhi então a melhor definição encontrada e comecei a ler. " Felicidade é um estado afetivo ou emocional de sentir-se bem". Incrível!
Preferi o contexto filosófico o qual a define como o mais alto de todos os bens que se pode encontrar pela ação. Foi a partir dessa idéia que fechei a todas as janelas do meu computador e fui em busca de um avião.
Vamos confessar que ser feliz na era de tribulações em que estamos vivendo não é fácil. Descobri com todas essas argumentações encontradas que felicidade é muito mais que uma palavra, portanto, não pode ser definida por um dicionário, ou até mesmo por uma só pessoa.É algo tão particular,um estado tão individual, que só pode ser definido por você mesmo. Esse estado não precisa ser continuo, mas o importante é que ele exista dentro de cada um, nem que seja demonstrado apenas com um sorriso diário.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Casei


E por incrível que pareça hoje me casei.
Usei véu e grinalda, e sapatilha de alecrim nos pés.
Com esmalte cintilante segurei meu buquê de margaridas descoloridas.
Tive postura ao entrar no altar, tudo ao ar livre, conduzida pelo vento que soprou sem cessar.
Vestida de bolo de chocolate meio amargo, mal olhei para os convidados, afinal não fui eu quem os convidei.
Mesmo com os olhos endurecidos não pude evitar que caísse uma lágrima, que nada mais era além de um pouco de purpurina nos cílios. As pessoas confundem com emoção, e isso é muito natural.
A orquestra não tocou a melodia antes combinada, mas mesmo assim eu entrei. Temos que ser persistentes, quem sabe da próxima ela toca. Por graça podemos pensar, e assim pude deixar de ouvir aquela poluição sonora e cantarolar em pensamento minhas cantigas de ninar.
Entrei! Entrei! Entrei!
Mesmo tropeçando,sim, porque espalharam balas e pirulitos afim de me derrubar. Mas não caio fácil assim. Então fique sabendo que foi em vão!
Foi um dia muito especial pra mim, rodeada de portas e janelas, e muitas paredes também...
E pela primeira vez realizei meu sonho de pisar em um tapete vermelho e de comigo mesma me casar.