sábado, 17 de abril de 2010

Seus dias...


"De longe te hei de amar- da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância".
Cecília Meireles


E há tempos não sai no quintal, nem caminha sobre a linha do trem... tão pouco sorri de suas lembranças, que sobram.
Tem em sua garganta aquele osso que sufoca, que mantém suas palavras pela metade, engasgadas diante da imensidão de seus pensamentos reais, e da multidão de sentimentos reprimidos que carrega dentro do peito.
Flores murchas cobrem seu bem estar, e a impedem de sonhar com aquele jardim de esplendor, que um dia fizera parte de seus dias.
Vai em busca do vento que insiste soprar em outra direção, e não a permite voar, deixando suas asas ressecadas junto ao fosco olhar dominado pela frustração.
Espera a todo momento por um novo presente que a surpreenda e a deixe feliz novamente.
Seus brinquedos estão todos guardados na velha caixa de papelão, cobertos por esperança e apenas com uma fresta de luz...

terça-feira, 9 de março de 2010

Aquela saudade...



“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
Rubem Alves

Hoje aquela saudade chegou com o vento, e como tempestade que vem sem avisar destelhou meu lar, destruiu meus sonhos e me fez te amar...
Como me dói querer-te pra mim...esperar por palavras não ditas e só pensar em dias que já se foram como fumaça , pra tão longe de mim.
Tão grande a dor de ouvir sua voz falando comigo, palavras doces, ditas por tantas vezes, mas que hoje se calou. Ouço tudo mesmo sem som...vejo você mesmo que de olhos fechados.
Recordando o primeiro encontro, aquele em que tive a certeza de que me faria sofrer, de algum modo, eu sabia. O primeiro beijo, aquele que me encantou e me fez querer a cada dia mais a sua presença em meus dias, e no meu mundo que você pediu pra entrar.
Seu colo, seus abraços, suas carícias, tudo é tão singelo e tão grandioso pra mim.
Momentos destruídos pelos famosos minutos que vão varrendo toda a alegria conquistada por horas ao lado de alguém especial.
Lágrimas que desfizeram a oitava cor do arco-íris, e me trouxeram novamente pra minha solidão.
Te quis e ainda te quero tanto, te fiz e ainda te faço com tal zelo e devido encanto...meu menino desenvolvido.
Tenho medo de um dia desses fazer parte apenas de mais um poema adormecido... e jogado no tempo.






terça-feira, 2 de março de 2010

Desilusão


E quando tudo parece claro vem a noite e escurece...

Embriaguez constante, litros e litros de solidão conservados por momentos felizes que se vão... denominados tipicamente como decepção ou outra vírgula qualquer que permanece sempre com o mesmo objetivo, de separar dois corpos.
O coração congelado em qualquer estação, o olhar sombrio e o corpo paralisado diante do céu enfeitado pelo arco-íris que se descoloriu em instantes, sendo ao final coberto por todas as nuvens de sensatez ou loucura, quem sabe.
Rugas vão se formando pouco a pouco na alma que se consola com flores secas que vão se despedaçando e caindo ao chão junto às novas velhas lembranças do que não foi.
Pedras pontiagudas são atiradas a fim de ferir um interior nunca cicatrizado, ninguém sabe o que se esconde atrás de um belo sorriso, tampouco se importa com seu passado amarelado e de dor.
E toda a forma se refaz, dessa vez repleta de defeitos expostos e de esperança diminuída. O sujeito oculto dorme mais uma noite com o travesseiro salgado e com medo de passar a vida toda procurando o inexistente. Sonha com o surpreendente, e acorda. A luz permanece acesa, enquanto você não vem.








segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Decepção de menina...


“A ilusão é o primeiro passo para a decepção, já que ninguém é perfeito”.
Jennifer Kelly

E as letras que compõem sua história mais uma vez foram borradas por suas lágrimas de decepção. Não por não ter ganhado o presente de natal, mas sim por ter descoberto que papai Noel não existe...
E teve cessado seu belo sorriso e entristecido seu caminhar, que hoje encontrou pelas ruas mais um pedaço de seu coração que fora jogado ao vento por alguém que desdenha seus sentimentos de menina.
Acordou daquele sonho de luzes coloridas nua de fantasias e coberta por cinzas que vieram dar boas vindas ao seu azar tão real e tão assustador.
E toda alegria que sentia junto a sua doce ilusão se desvaneceu tão depressa quanto suas pálpebras caíram. Eu pude ouvir ela chorar naquela hora e chamar por algum nome que não fui capaz de decifrar. O copioso pranto, tão familiar.
Logo arrancou de seu peito toda mágoa e em seu disfarce natural vestiu sua máscara e voltou para sua casa, para o seu quarto, para o meio daquelas duas paredes em que vive encolhida e de onde hoje acha que nunca deveria ter saído.
Ela tinha medo de brincar, e deveria!






quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Grito de dor...


"Se a tua dor te aflige, transforma-a num poema."
(Autor desconhecido)

Ela não chora apenas por não se sentir especial...mas por estar sempre só, e rodeada de tanta gente que não diz nada, só a observa com os típicos olhares duvidosos e cheios de sentenças.
Ninguém se preocupa com aquela menina, e é mentira dizer ao contrário! Cada um quer seguir os seus dias como sempre foi, com os mesmos sorrisos e detalhes desvarios que não vale a pena citar.
E nesses momentos vividos vai se aproximando do chão, e mais e mais sendo jogada fora de suas nuvens de ilusão. Quando parece ganhar novas vestes, se apresenta novamente com seus trapos, tão velhos e sujos, mas que o tempo ainda não foi capaz de destruir. Sua voz cada vez mais calada se enfraquece enquanto chora de soluçar.
Seu corpo paralisado, suas mãos sobre a sua cabeça revelando todo desprezo sentido, toda lamentação por ser tão obscura e ter a alma tão abatida. Ninguém sabe ajudar. E nem quer.
E essa sua tristeza ignomínia, a mantém cada vez mais refém da solidão e de seu mundo coberto por pedaços de água em seu olhar tão pequeno, e que tanto suplica por um final feliz, ou por um começo de paz.
Enquanto isso é vago ela vai se embriagando de sua dor renitente e gritando cada vez mais alto o seu silêncio num labirinto feito de dúvidas concisas e de temor, iluminando sua face refeita por doçura e inquietação.