terça-feira, 2 de março de 2010

Desilusão


E quando tudo parece claro vem a noite e escurece...

Embriaguez constante, litros e litros de solidão conservados por momentos felizes que se vão... denominados tipicamente como decepção ou outra vírgula qualquer que permanece sempre com o mesmo objetivo, de separar dois corpos.
O coração congelado em qualquer estação, o olhar sombrio e o corpo paralisado diante do céu enfeitado pelo arco-íris que se descoloriu em instantes, sendo ao final coberto por todas as nuvens de sensatez ou loucura, quem sabe.
Rugas vão se formando pouco a pouco na alma que se consola com flores secas que vão se despedaçando e caindo ao chão junto às novas velhas lembranças do que não foi.
Pedras pontiagudas são atiradas a fim de ferir um interior nunca cicatrizado, ninguém sabe o que se esconde atrás de um belo sorriso, tampouco se importa com seu passado amarelado e de dor.
E toda a forma se refaz, dessa vez repleta de defeitos expostos e de esperança diminuída. O sujeito oculto dorme mais uma noite com o travesseiro salgado e com medo de passar a vida toda procurando o inexistente. Sonha com o surpreendente, e acorda. A luz permanece acesa, enquanto você não vem.








segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Decepção de menina...


“A ilusão é o primeiro passo para a decepção, já que ninguém é perfeito”.
Jennifer Kelly

E as letras que compõem sua história mais uma vez foram borradas por suas lágrimas de decepção. Não por não ter ganhado o presente de natal, mas sim por ter descoberto que papai Noel não existe...
E teve cessado seu belo sorriso e entristecido seu caminhar, que hoje encontrou pelas ruas mais um pedaço de seu coração que fora jogado ao vento por alguém que desdenha seus sentimentos de menina.
Acordou daquele sonho de luzes coloridas nua de fantasias e coberta por cinzas que vieram dar boas vindas ao seu azar tão real e tão assustador.
E toda alegria que sentia junto a sua doce ilusão se desvaneceu tão depressa quanto suas pálpebras caíram. Eu pude ouvir ela chorar naquela hora e chamar por algum nome que não fui capaz de decifrar. O copioso pranto, tão familiar.
Logo arrancou de seu peito toda mágoa e em seu disfarce natural vestiu sua máscara e voltou para sua casa, para o seu quarto, para o meio daquelas duas paredes em que vive encolhida e de onde hoje acha que nunca deveria ter saído.
Ela tinha medo de brincar, e deveria!






quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Grito de dor...


"Se a tua dor te aflige, transforma-a num poema."
(Autor desconhecido)

Ela não chora apenas por não se sentir especial...mas por estar sempre só, e rodeada de tanta gente que não diz nada, só a observa com os típicos olhares duvidosos e cheios de sentenças.
Ninguém se preocupa com aquela menina, e é mentira dizer ao contrário! Cada um quer seguir os seus dias como sempre foi, com os mesmos sorrisos e detalhes desvarios que não vale a pena citar.
E nesses momentos vividos vai se aproximando do chão, e mais e mais sendo jogada fora de suas nuvens de ilusão. Quando parece ganhar novas vestes, se apresenta novamente com seus trapos, tão velhos e sujos, mas que o tempo ainda não foi capaz de destruir. Sua voz cada vez mais calada se enfraquece enquanto chora de soluçar.
Seu corpo paralisado, suas mãos sobre a sua cabeça revelando todo desprezo sentido, toda lamentação por ser tão obscura e ter a alma tão abatida. Ninguém sabe ajudar. E nem quer.
E essa sua tristeza ignomínia, a mantém cada vez mais refém da solidão e de seu mundo coberto por pedaços de água em seu olhar tão pequeno, e que tanto suplica por um final feliz, ou por um começo de paz.
Enquanto isso é vago ela vai se embriagando de sua dor renitente e gritando cada vez mais alto o seu silêncio num labirinto feito de dúvidas concisas e de temor, iluminando sua face refeita por doçura e inquietação.







segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu gosto de você assim...


"As almas encontram-se nos lábios dos enamorados."
Percy Bysshe Shelley

E eu gosto de você assim, e é tanto, com tal encanto que me faz desconhecer quem sou, e ter somente a certeza de que nada é tão certo como se pensa ou se canta.
E sentir a brisa que veio sorrir a mim, e o viver de maneira simples e complicada, calma e tão agitada como aquelas ondas do mar que se transformam em leves espumas.
Me ensinou que temos tempo demais pra lamentar por tão pouco, e que não é preciso o concreto pra se sentir a presença de quem é realmente especial para nós. E que o verdadeiro vale mais do que qualquer toque sem cor... ou beijo sem sabor.
E com todos seus carinhos despertou em mim aquela vontade de sorrir sem parar e nunca mais voltar, a não ser que seja para seus braços, e nem olhar para trás, a não ser que seja para o brilho de seus olhos que dominam todo meu desejo, que já não consegue mais ser secreto, de querer e querer a cada dia mais a sua presença, que tempera os meus dias e me faz admirar o céu, e a chuva bem de perto, e sem se molhar.
Sua alma transparente que me leva aos velhos sonhos inocentes, é o que me tem feito acreditar que talvez eu e você juntos, possamos ser tudo aquilo que faltava em meus pensamentos distantes, tão cheios de arte, e como um toque de mágica em um só corpo completarmos a oitava cor do arco-íris...







segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Medo de brincar...


“Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos.”
Paul Valéry

E um medo qualquer quer convencê-la a não brincar...
Por esses dias alguém a convidou pra pular amarelinha, aquela feita de pulos entusiasmados que conduzem ao céu.
Ela brincou durante horas, e como nuvem foi levada pelo vento até o celestial, onde encontrou com o aquele anjo que visitava seus sonhos de confetes.
Suas asas a envolveram com tanta força que pode sentir todo seu valor há tempos enterrado num campo de flores secas. E sob o som daquela chuva eles voaram por aquele planeta todo enfeitado de bolhas de sabão que assopravam, e se tocavam...
E aquela sensação de esplendor fez aqueles seres como tapetes estendidos naquele gramado, molhado e coberto pelo orvalho de sua alegria, demonstrada por doces gargalhadas soltas no ar.
E ao final da brincadeira seus olhos já tinham um outro brilho, seu tom de voz não era mais o mesmo, e seus pensamentos estavam presos aquele momento sobrenatural.
A menina que chora e faz careta em frente ao espelho hoje sente medo, de que tudo aquilo tenha apenas feito parte de mais um de seus sonhos infantis...